Saltar para o conteúdo

Porque caminhar com as mãos atrás das costas estimula o cérebro e reduz o stress

Pessoa de pé, de costas, com mãos cruzadas, junto a mesa com livro aberto, bola colorida e óculos.

Provavelmente associa este gesto aos passeios de domingo do seu avô ou aos professores que circulam entre as filas de alunos. No entanto, caminhar com as mãos atrás das costas pode, na verdade, estimular o cérebro… e ajudar a afastar o stress!

É uma realidade: as mãos estão quase sempre ocupadas. Seguram no telemóvel, escrevem num teclado ou acompanham a fala através de gestos automáticos. Ao colocá-las atrás das costas, deixam imediatamente de estar no nosso campo de visão periférico.

Esta alteração de postura diminui de forma significativa a quantidade de informação visual e motora que o cérebro tem de processar. Livre desse ruído sensorial de fundo, o sistema nervoso abranda e a atenção afasta-se do ambiente mais próximo para se voltar para o interior. Cria-se, assim, um contexto favorável à reflexão aprofundada, útil para analisar ideias complexas ou organizar as emoções sem interrupções.

Em simultâneo, caminhar ativa o funcionamento cerebral, oferecendo à mente condições propícias para o aparecimento de novas ideias.

Uma sensação de tranquilidade e controlo

Além disso, a posição do corpo influencia directamente as emoções. É esse o princípio da cognição incorporada: o estado mental condiciona as posturas, mas a relação também funciona no sentido inverso. Levar as mãos atrás das costas altera a mecânica geral do corpo, fazendo naturalmente recuar os ombros e alinhar a coluna vertebral.

Ao projectar o peito, a caixa torácica ganha abertura, o que favorece uma respiração mais ampla e profunda. Estudos realizados pela Universidade VU de Amesterdão revelaram que adoptar uma postura direita contribui para uma melhor recuperação após uma emoção negativa e reduz a ruminação. Isto pode gerar uma sensação de serenidade e de controlo perante situações de stress.

Ainda assim, estes sinais devem ser interpretados com rigor. O impacto no humor varia consoante o grau de tensão nos braços. Mãos pousadas de forma descontraída na zona lombar indicam uma procura genuína de calma e serenidade. Pelo contrário, quando alguém segura com força o pulso ou o antebraço atrás do corpo, o movimento revela frequentemente uma tentativa de conter frustração ou irritação latente. Nesse caso, o corpo recorre a esta preensão para refrear um impulso.

Evitar interpretações excessivas

Importa, porém, recordar que colocar as mãos atrás das costas também pode ter explicações muito práticas: pode ser apenas um hábito, uma forma de aliviar a tensão lombar, uma maneira de se aquecer ou o cumprimento de uma regra profissional, como acontece no ensino ou nas forças armadas.

Ainda assim, adoptar esta forma de caminhar pode ser uma técnica de autorregulação rápida e acessível, desde que as mãos repousem sem tensão na zona lombar. Se, pelo contrário, a pessoa apertar firmemente o pulso ou o antebraço atrás das costas, esse gesto também pode indicar uma vontade de controlar a frustração ou a irritação.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário