A Agência Espacial Europeia e os vários fabricantes envolvidos na rede IRIS² concluíram a etapa de planeamento. A internet europeia por satélite entra agora na fase industrial, com a inclusão de mais 66 satélites no projecto. A alternativa europeia à Starlink só será disponibilizada ao público numa segunda fase da implementação.
Embora ainda não existam resultados concretos visíveis, foi ultrapassada uma etapa importante. A Comissão Europeia assinou o acordo para executar o projecto IRIS², formalizando a transição do planeamento para uma implementação em larga escala. Juntamente com o consórcio industrial SpaceRISE, que reúne os fabricantes responsáveis pela instalação da constelação e pela activação da internet em órbita baixa, o programa IRIS² passa a apontar para 2029.
IRIS²: 348 satélites e primeiros lançamentos em 2029
As entidades envolvidas assumiram, assim, um calendário descrito como «acelerado», que prevê os primeiros lançamentos em 2029 e uma entrada progressiva dos serviços em funcionamento. A rede deverá contar com 348 satélites, ou seja, mais 66 do que estava inicialmente planeado. Todos estes 66 satélites adicionais ficarão em órbita terrestre baixa. No total, 330 estarão nessa órbita, enquanto os outros 18 serão colocados em órbita terrestre média.
Numa fase inicial, a rede IRIS² será destinada aos governos europeus, às forças de defesa e aos serviços de emergência. Só posteriormente passará a fornecer internet a empresas e particulares. Desta forma, a infraestrutura europeia diferencia-se da Starlink, serviço disponibilizado pela SpaceX a partir dos Estados Unidos e concebido desde a origem como uma rede de grande escala para o público em geral.
O consórcio SpaceRISE junta três grandes operadores europeus de satélites: a SES, do Luxemburgo, a Eutelsat, de França, e a Hispasat, de Espanha. Estes operadores contam com empresas industriais de referência, como a Airbus Defense and Space, a Thales Alenia Space, a OHB e a Aerospacelab. Ao dirigir-se a governos, forças armadas e serviços de emergência, a IRIS² deverá complementar o Galileo, dedicado à geolocalização, e o Copernicus, orientado para a observação da Terra.
Na sequência do anúncio, a Eutelsat revelou que planeia investir 3,4 mil milhões de euros até 2034. Sobre a entrada da IRIS² na fase industrial, o director-geral da Eutelsat, Jean-François Fallacher, afirmou que esta «constitui um momento decisivo para a Eutelsat e para as ambições espaciais da Europa. Os investimentos públicos e privados adicionais decididos hoje reforçam o programa, proporcionando-lhe mais capacidade, resiliência e flexibilidade».
IRIS² na Europa, Starshield nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a Starlink também despertou o interesse do Exército, que procurava uma rede segura e independente da infraestrutura destinada ao público. Foi nesse contexto que surgiu a Starshield, uma rede militarizada fornecida pela SpaceX a pedido do Pentágono. Em ambos os lados, as potências procuram dotar-se de um serviço de internet resiliente perante um conflito geopolítico, grandes ciberataques ou uma falha de grande dimensão.
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