Nos Estados Unidos, as mulheres ocupam agora mais empregos do que os homens. Pela primeira vez, esta inversão poderá representar um ponto de não retorno para a economia.
O mercado de trabalho norte-americano acaba de atingir um marco histórico. O número total de empregos ocupados por mulheres passou a superar o dos homens, eliminando uma diferença de vários milhões de postos registada desde a década de 1990. Dos 1,2 milhões de empregos criados entre 2024 e 2026, dois terços foram atribuídos a trabalhadoras.
Este cenário já tinha ocorrido por duas vezes: durante pouco tempo na Grande Recessão de 2009-2010 e, mais tarde, imediatamente antes da pandemia de Covid-19, em 2019. Contudo, a retoma económica depressa repôs a situação anterior. Desta vez, a tendência é distinta.
Para os economistas, não se trata apenas de um fenómeno temporário associado a uma crise, mas de uma transformação estrutural com potencial para perdurar. A mudança explica-se, sobretudo, pelo declínio contínuo da participação masculina no mercado de trabalho. A taxa de atividade dos homens caiu, assim, de 86,7 % em 1948 para 67,2 % atualmente.
58 % dos diplomados são mulheres
Em paralelo, nos Estados Unidos, as mulheres representam atualmente cerca de 58 % dos estudantes do ensino superior e obtêm uma clara maioria dos diplomas de licenciatura e de mestrado.
Além disso, os setores que mais empregos criam concentram-se em áreas específicas, como a saúde, a ação social e a educação. Estes ramos, particularmente dinâmicos, exigem qualificações que as mulheres obtêm em grande número.
Em sentido contrário, setores tradicionalmente masculinos, como a indústria, a tecnologia ou as finanças, estão estagnados ou em retração. Os homens mais jovens ficam, por isso, menos preparados do ponto de vista da formação para responder às necessidades reais do atual mercado de trabalho.
Menos homens optam por entrar no mercado de trabalho
De década para década, são cada vez menos os homens que decidem entrar ou permanecer no mercado de trabalho, uma redução que afeta sobretudo as gerações mais jovens. Há vários motivos que ajudam a explicar esta evolução. Entre o apoio financeiro prolongado das famílias, a influência dos entretenimentos digitais, como os videojogos, e estilos de vida alternativos, o perfil dos agregados familiares está a mudar profundamente.
Segundo os economistas, o que está a acontecer atualmente aproxima-se de um ponto de não retorno.
E em França?
Segundo os dados do Insee, a população ativa total é composta por cerca de 31,4 milhões de pessoas: 15,3 milhões de mulheres e 16,1 milhões de homens. Deste conjunto, existem aproximadamente 14,2 milhões de mulheres empregadas, face a 14,9 milhões de homens com emprego.
A taxa de emprego entre os 15 e os 64 anos situa-se, assim, em cerca de 72 % para os homens e aproximadamente 67 % para as mulheres. Embora a presença feminina no mercado de trabalho continue a aumentar de forma regular, a inversão histórica observada nos Estados Unidos ainda não ocorreu no Hexágono.
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