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Neow Safe Plus: o smartphone seguro para pré-adolescentes

Mãe ensina filho a usar controlo parental no telemóvel enquanto estão sentados no sofá em casa.

O Neow Safe Plus é um smartphone pensado para pré-adolescentes. Sem redes sociais, navegador ou acesso à Internet sem restrições, e com controlos parentais reforçados, será a resposta ideal para os pais? Pedimos a um adolescente que o experimentasse.

Todos os pais receiam que este dia chegue: os filhos crescem e, de repente, pedem um smartphone. Normalmente, este pedido surge quando entram no 2.º ou 3.º ciclo. Numa realidade dominada por ecrãs e notificações, é uma pretensão compreensível. Dar um smartphone a um pré-adolescente tem vantagens, desde logo a tranquilidade de podermos contactá-lo a qualquer altura. Por outro lado, as redes sociais e todos os riscos associados levantam preocupações. É neste contexto que surge a Neow, uma marca que comercializa smartphones «limitados».

Neow Safe Plus: o objectivo é tranquilizar os pais

A Neow pertence à HEM, um grossista sediado em Marselha especializado em tecnologia. O conceito é directo: criar smartphones para adolescentes destinados apenas à comunicação. Estes equipamentos usam uma versão extremamente restrita do Android, não trazem aplicações pré-instaladas, navegador, redes sociais ou Play Store e podem ser supervisionados remotamente pelos pais, como explica Luc-Marie Brisset, da Neow:

«Regra geral, os pais dão ao filho um smartphone antigo que estava guardado numa gaveta. O nosso objectivo é substituir esse hábito por um primeiro smartphone adequado.»

Enquanto pais - e quem escreve sabe-o bem - é natural hesitarmos antes de atirar os filhos para o mundo digital sem protecção. Os pré-adolescentes contactam muito cedo com pornografia na Internet, aos 11 anos em média, e o ciberbullying tornou-se uma realidade habitual. Ainda assim, também não parece sensato deixá-los sem alternativa quando todos os amigos já têm equipamento: em média, um jovem francês recebe o primeiro smartphone aos 11 anos. Será a proposta da Neow realmente fiável? E poderá este tipo de smartphone servir um aluno do 2.º ou 3.º ciclo na sua primeira experiência? Fomos experimentar.

Uma solução realmente segura?

A Neow comercializa smartphones prontos a utilizar, equipados com uma versão muito limitada do Android e sem navegador nem Play Store. Mais do que um simples telefone bloqueado, a empresa francesa apresenta, na prática, todo um ecossistema.

A marca disponibiliza uma interface concebida para a família. Ao associarem o Neow à conta Google, os pais podem, numa página Web, autorizar ou recusar determinadas aplicações:

«Através da página Família e, em breve, da aplicação, é possível autorizar determinadas aplicações e definir um limite de tempo. Por exemplo, o meu adolescente tem amigos em casa e quer jogar Roblox com eles; posso desbloquear a aplicação e estabelecer um limite de utilização, como 45 minutos no máximo.»

Este é o principal argumento da Neow: permitir controlo integral sobre a utilização. Em vez da Play Store, existe uma loja própria que funciona como filtro e selecciona aplicações da Google:

«Algumas aplicações estão numa lista branca, como o cartão da cantina ou o passe de autocarro.»

A Neow inclui ainda funções interessantes, como a localização GPS. Não fica permanentemente activa, mas permite aos pais saberem onde está o adolescente quando necessário. Algo sempre reconfortante.

Entregámos o Safe Plus a um pré-adolescente, mas não o convenceu

O smartphone é o elemento central deste ecossistema. A Neow emprestou-nos o seu modelo de gama mais alta, o Safe Plus, comercializado por 150 euros. À primeira vista, o telemóvel causa boa impressão, com um visual que faz lembrar os Galaxy S26. Contudo, os limites tornam-se evidentes assim que começamos a utilizá-lo. A nível técnico, é um equipamento muito básico, até algo antiquado. O Safe Plus integra um modesto processador Unisoc Tiger T606, um ecrã IPS de 6,6 polegadas com resolução de 1 280 × 576 píxeis, 4 GB de RAM e uma câmara de 13 megapíxeis. Por este preço, as cedências técnicas são compreensíveis. Ainda assim, estas limitações tornam a experiência complicada, mesmo para os utilizadores mais jovens.

O ecrã, de qualidade fraca, é pouco legível no exterior, enquanto a reduzida potência do processador causa abrandamentos frequentes durante a navegação. É incómodo. Quanto a Roblox - ou a qualquer outro jogo exigente -, pode esquecer-se. Isto não é propriamente um problema, já que o telefone não foi feito para entretenimento, mas seria de esperar, pelo menos, maior fluidez. A ausência completa de segurança biométrica e uma câmara digna de um telefone de entrada de gama de 2015 agravam o cenário. Sejamos francos: enquanto jornalistas de tecnologia, não somos propriamente o público-alvo. Por isso, entregámos o Safe Plus a um pré-adolescente. Também ele não ficou convencido, ao ponto de nem querer utilizá-lo a sério. Os amigos têm smartphones Android convencionais ou até antigos iPhone dos pais. Aparecer perante eles com um Neow e não ser alvo de gozo seria impensável.

Luc-Marie Brisset reconhece esta questão:

«Evidentemente, passar de um iPhone para um Neow pode gerar frustração. Os nossos smartphones foram pensados para serem um primeiro telefone, uma primeira experiência antes de avançar para o passo seguinte. Bem-vindo ao 6.º ano: aqui tens a tua Eastpack, o teu passe de autocarro e o teu Neow; é uma evolução gradual, e não imposta.»

Infelizmente, o Neow dificilmente será o primeiro telefone de um pré-adolescente. Mesmo que nunca tenham tido um, já conhecem o formato, a liberdade que proporciona e o respectivo desempenho. Quase inevitavelmente, já manusearam um smartphone mais premium de um amigo ou de um familiar, seja numa videochamada ou para jogar durante encontros familiares. Ainda assim, a Neow pode constituir uma opção tranquilizadora para os pais que queiram impô-la ao adolescente. Saber que o filho ou a filha utiliza um produto fortemente protegido e controlado, reduzindo o risco de surpresas desagradáveis, é efectivamente reconfortante. Mas duvidamos que lhes agrade. O nosso jovem cobaias chegou mesmo a falar em castigo, o que diz muito. Já nós, enquanto adultos, apreciámos saber que seria sempre possível contactá-lo.

Pode argumentar-se que a Neow oferece uma solução já disponível de origem nos telefones «convencionais», tanto Android como iOS. A Google, por exemplo, inclui a muito completa aplicação de controlo parental Family Link. Esta permite gerir o tempo de ecrã, as aplicações autorizadas e localizar outro smartphone em tempo real. Há uma solução equivalente no iOS. Contudo, estas funcionalidades podem ser facilmente contornadas com alguma astúcia. No Neow, isso não acontece, e essa é uma das suas forças.

Vale a pena comprar o Neow Safe Plus?

Porque escolher então um Neow Safe Plus, em vez de um smartphone Android normal para um pré-adolescente? A principal vantagem da marca francesa está numa solução pronta a usar. Com um Android bloqueado desde a base, sem navegador nem Play Store, é difícil os adolescentes encontrarem formas de contornar as proibições. O preço é outro argumento forte: por 150 euros, este primeiro telefone mantém-se dentro de um orçamento razoável para uma família. Infelizmente, embora o Neow possa convencer os pais, dificilmente satisfará os filhos, que terão de lidar com um produto lento, um ecrã pouco legível e incapaz de captar boas fotografias.

É pena, porque a filosofia da marca francesa é interessante. Porque não aplicar esta ideia a smartphones mais evoluídos? Em todo o caso, a Neow pretende continuar a alargar a sua solução:

«Já vendemos 25 000 telefones e o nosso objectivo é duplicar este número este ano.»

Esta ambição terá de ser acompanhada por produtos mais agradáveis de utilizar, que não abrande em cada operação. A marca ainda é muito jovem e dispõe de tempo para se afirmar neste segmento. Até lá, o Neow Safe Plus pode ser uma solução complementar para pais preocupados que não confiam totalmente nos controlos parentais do Android ou do iOS.

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